Rev.
Gessé Almeida Rios
“Porque primeiramente vos entreguei o que também
recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras,
e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.”
1 Cor. 15:3-4
Estamos
nos aproximando de uma das celebrações mais significativas do calendário
cristão, a Páscoa. Na carta aos Coríntios Paulo apresenta de forma vívida e
contundente o Cordeiro pascoal que venceu a morte, ressucitou e vive.
Provavelmente
tenha escrito outra carta exortando os irmãos de Corinto a não se associarem
com crentes imorais (5:9). Na presente carta, porém, sua preocupação se volta
para os seguintes aspectos da vida de igreja:
1. Quebra
de unidade por causa de divisões internas. Uns se achavam mais espirituais e
mais inteligentes que outros (1:11-12; 3:1-4; 8:1-3)
2. Críticas
infundadas a Paulo (4:1-4)
3.
Imoralidade
desenfreada ((5:1)
4.
Processos
judiciais entre cristãos (6:1-6), entre outros.
Nos
capítulos de 1-6 Paulo aborda problemas relacionados a questões morais identificados e que chegaram a seu
conhecimento; Dos capítulos 7-16 sua
preocupação se volta para problemas que os próprios crentes de Corinto levantaram -
questões mais de ordem doutrinária; No capítulo 15, entretanto, ele se ocupa de
um ensino doutrinário da mais alta necessidade de clareza, isto é, a
ressurreição dos mortos. O capítulo é praticamente um tratado sobre a
ressurreição do corpo. E para abordá-lo ele se fundamenta na ressurreição do Senhor.
Primeiramente
Paulo establece que a ressurreição de Jesus é um fato
inegável uma vez que há evidências históricas suficientes para afirmá-la. Muitos do seu tempo o viram ressurreto. Se fosse possível nega-la estava resolvido o problema para os coríntios. Por
influência do pensamento grego que acreditava que a matéria é má e, portanto, não podiam acreditar na
ressurreição do corpo – matéria. Mas o fato histórico da ressurreição de Jesus
lançava por terra de uma só vez o predominante conceito gnóstico. Vale notar
que os crentes de Corinto não duvidavam disso – “foi visto”. O fato de jamais
questionarem a ressurreição do Senhor, fortalece aind a mais a veracidade da ressurreição.
Portanto, a ressurreição do Senhor testifica a favor da ressurreição dos
corpos.
Um segundo aspecto é que a ressurreição de Jesus é o ponto central do Evangelho. Ela implica
e inaugura a era vindoura de vitória sobre a morte. “Venho lembrar-vos” - Texto
Receptus: “declaro” - Trinitariana: “vos notifico”. “O evangelho” – “o qual,
vos preguei” – “o qual vós recebestes” – “no qual perseverais”. “Por ele
sois salvos” – Ele está falando do evangelho - Boa Nova - da Ressurreição. “Se
retiverdes a palavra tal qual vo-la preguei”, sem adulteração. “A
menos que tenhais crido em vão”, implicando assim que o fato de negar a
ressurreição torna vã a nossa fé (14). Ao afirmar: “Entreguei o que recebi” (3-4)
Paulo aponta para a integridade de sua mensagem. Sua conclusão aqui é que foi
exatamente nesta mensagem que eles creram (11). Logo, seria uma incorência agora negá-la agora.
Por fim, ele assegura que a ressurreição é a essência
da mensagem apostólica, a qual consistia em: (1) afirmar a morte vicária de Cristo -
morreu para expiar/pagar/anular nossa dívida/pecados - (2) e a ressurreição do
Senhor - como o primeiro a vencer a morte para nos dar uma esperança segura. E
isso não é novidade, pois as Escrituras já previam - “Segundo as escrituras” –
isto é, de acordo com aquilo que foi profetizado nas Escrituras (Sl.16:9-11:
49:15; 68:18; 110:1). A partir do verso 12 Paulo começa a concluir seu
argumento reafirmando a incoerência dos coríntios – pregam que Jesus
ressuscitou da morte, mas não podem crer que vamos ressuscitar também. Neste
caso, em que consiste nossa esperança? Portanto, sem a ressurreição do Senhor
“...é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé.” (v.14)
Concluindo, a
ressurreição do Senhor testemunha a favor de nossa própria ressurreição e, como consequência, garante-nos viva esperança e autentica nossa missão
de proclamar as boas novas de salvação. Sendo assim, ela é a razão do nosso
trabalho (14), a razão da nossa fé (17) e a razão da nossa esperança (17-19).
